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É muito espaço sobrando pra pouca gente querendo ocupar…

1 ago

Fazia frio em São Paulo. Há tempos ela não enfrentava baixas temperaturas com seu lado tão vazio na cama. Hoje, ao trocar de lado durante a noite, sentiu apenas um grande espaço frio entre as saudades e alguns travesseiros, vazios como as ruas lá fora. Revirou-se mais uma vez. Soltou os cabelos e esticou os cobertores na esperança de que eles trouxessem de volta o calor que só o corpo dele um dia proporcionou.

Na ponta dos dedos, levantou-se em busca de vestígios e provas de que de fato, o lugar havia sido cenário de um momento intimamente importante. Um pente, o creme pós-barba. Nem mesmo os objetos quase sempre esquecidos, propositalmente ou não, lhe faziam companhia. A camisa azul, frequente pijama nas noites intermináveis, também não estava mais pendurada no encosto da cadeira. Nenhum despertador a acordará às cinco.

Fazia frio em São Paulo. Ela voltou pra cama, e revirou-se mais uma vez. Em um dos travesseiros, ainda o perfume – vivo na memória como ele só. Os olhos, o rosto, a sempre ofegante respiração. Apenas memórias.

Amanheceu na cidade cinza. Enquanto os primeiros tímidos sinais de claridade anunciavam um novo dia, ela se dava conta de que não havia pregado os olhos. O frio continuava, e para aquecer saudade, os cobertores se revelaram ineficazes e desnecessários. Era apenas muito espaço sobrando pra pouca gente querendo ocupar…

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