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(Pequeno) Ensaio sobre o Dia dos Namorados – Parte III – Final – O Ultimo Suspiro

12 jun

O Ultimo Suspiro

Ele estava indo. Assim como em tantos outros anos, já tentava se conformar que apesar de tão comentado e festejado, já era hora de ir embora, obrigatoriamente, teria que se despedir. Dizia que nunca entendeu ao certo essa arte chamada “adeus”. Achava que deveria durar por todos os outros 365 dias do ano, porquê não? Pelo menos conseguia fazer alguém feliz.

Entendia o “tchau” como algo passageiro, e tentava saudar a todos os casais, se apressando com o passar das horas. Trazia consigo aquela saudosa sensação de   querer mais, de “não vai, fica mais um pouco…” O fim da noite estava cada vez mais próximo, e ele ficava cada vez mais triste, pensando no longo período que passaria no esquecimento, até que o próximo ano chegasse.

Chateou-se um pouco com o que viu. Odiava ser chamado de “data comercial”, pois lembrava-se bem do dia de seu nascimento, em que o único propósito era celebrar o amor entre as pessoas. Mas a coisa foi tomando uma proporção inimaginável. Ele só queria ser uma data em que todos se lembrassem o quanto é bom ficar junto.

Mas seu fim era um fato, e disso ele não poderia fugir. Todos já estavam em suas casas, e em questão de minutos, ele se transformaria em passado, lembranças, apenas uma noite, um dia, uma troca de presentes, de derretimento de comprometidos e solteiros insistindo em provar que essa era a melhor condição. Assim como na história da Cinderela, seu encanto acabaria à meia noite.

Assim, se foi. Deixando para trás textos românticos, flores, chocolates e presentes. Adormecerá até o próximo junho, onde novamente, as mesmas questões serão levantadas e os mesmos temas abordados em textos como esses. Corações de papel vermelho novamente estarão colados nas vitrines, onde coleções especiais para a data estarão sendo lançadas junto a títulos de não-sei-quantas-dicas para não passar a Dia dos Namorados sem um…Opa. 00h. Ele se foi. O Dia dos Namorados deu seu último suspiro. Voltemos com a programação normal.

(Pequeno) Ensaio sobre o Dia dos Namorados – Parte II – Em todas as formas

12 jun

Em todas as formas

“Oi, tá afim de sair hoje?”. Uma vez por mês. Nossa dinâmica é meio assim, torta, avessa até mesmo aos não relacionamentos, as ficadas, esse nosso meio termo que só a gente entende e não sabe explicar. Aliás, explicar pra que? Nada é marcado, e quase sempre meio que sem querer. É simplesmente quando um sente a necessidade do corpo do outro, e então um mero chopinho no fim do domingo parece bem mais agradável do que ir para casa assistir Fantástico. E disso não passamos.

Quando o amor não existe – pelo menos não na forma em que nós falamos todos os dias –, a coisa parece ficar bem mais simples. É uma espécie de amizade, com liberdade, contato, pele, mas que se passar disso perde completamente a graça. Talvez porque não seja o momento para ambos, ou talvez você odeie tanto algumas minhas manias quanto odeio muitas das suas, como quando fuma.

Mas se o amor não existe, uma saída é uma saída, sendo ela só sua, só dele, ou dos dois. Não existe a obrigação, e as perguntas surgem como elemento natural na conversa… “ah saiu ontem? Poxa, conta mais desse lugar, ainda não conheci…” isso, se elas chegarem a esse ponto. Um telefonema vai querer dizer que sim, há o interesse, não a obrigação. Sim será sempre sim, não será sempre não, sexo é só sexo, e após tudo isso, você ainda estará focada no que quer e ele poderá ir sossegado, sem pensar se deve ou não te ligar no dia seguinte.

Sim, ainda há espaço para o amor, relacionamento, compromisso. Assim como há para as outras diferentes formas. Tão confusas e inconstantes, assim como nós, homens e mulheres. Sem dor, sem sofrimento. O que vale é ficar junto.

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