Só por uma noite. E é assim que tem que ser.

13 ago
Já eram mais de duas da manhã quando te vi dançando do outro lado da pista. Eu tive que esfregar meus olhos para ter certeza, mas nem precisava. Conhecia aquela silhueta há muito tempo. Lembro de ter visto ela desfilar umas três ou quatro vezes no meu apartamento pela manhã, procurando por peças de roupas ‘perdidas’ pela casa.
 
A sincronia dos seus movimentos com as suas amigas e aquele sorriso de mil dentes. Pode me chamar de louco, apressado, tarado, mas você terminaria aquela noite comigo, e eu sei que essa também seria sua vontade.
 
Seu cabelo estava lindo. Juro que não sei o que diabos você faz nele, e mesmo sendo raros os momentos em que consigo achar alguma coisa mais bonita do que você quando acorda, eu não consegui mais tirar os olhos. 
 
Se você me viu ou sabia que eu estaria aqui? Não sei. Só sei que fez bem em colocar esse vestido, e eu gosto deles, de todos os seus. De vestido, te pego no colo pelas coxas sem empecilhos. É tua pele na minha. Minha mão nas tuas pernas. A outra segurando teu cabelo. Você de olhos fechados e um sorriso de satisfação e desejo. No fundo, era por isso que eu buscava durante toda a noite. Eu só não queria admitir para mim mesmo.
 
Fiquei parado. Era questão de tempo, uma hora você iria olhar. Uma volta para a esquerda, uma para a direita, o espetáculo que seu corpo contra a luz me proporcionava. Virou pra frente, me viu. Deu aquele sorriso gostoso. Retribuí. E de propósito, como faz sempre, continuou me provocando a distância, agindo como se eu não estivesse lá. Minutos depois, caminhou em minha direção.
 
Na minha frente, não disse nada. Se aproximou e ficou ali parada, a cinco centímetros da minha boca, me deixando sentir apenas a sua respiração ofegante. Num movimento rápido, tomei sua frente. Enquanto levantava teu braço e o segurava rente a parede, cravava a outra mão na tua cintura. Você fechou os olhos e eu te beijei. ‘Avisa tuas amigas. Em cinco minutos estarei no carro’.
 
** 
 
Aquele silêncio me deixava louco. Não precisei perguntar se você ia. Eu tinha certeza, e quando você sentou no banco ao meu lado eu só pude sorrir. Avancei pela Marginal sem olhar a quanto o ponteiro do velocímetro chegava. Eu também queria chegar a algum lugar – a garagem, a escada de emergência, elevador, hall do meu andar, sofá do meu apartamento, tanto faz. Queria estar sozinho com você e de mãos livres. 
 
Chegamos. Acenei para o porteiro e entrei na garagem. Descemos do carro, poucas palavras e muitos sorrisos de canto de boca, olhares maliciosos e frases de duplo sentido. A conversa das outras vezes tinha sido substituída por um clima entorpecente de dois indivíduos que não conseguiam raciocinar.
 
Abri a porta e te puxei de uma vez pra dentro. Joguei sua bolsa e seu casaco em algum lugar. Te pressionei sobre a porta fechada, te levantei e segurei pelas pernas enquanto você colocava elas em torno da minha cintura. Te beijei, fechei os olhos, e deixei com que meus movimentos reproduzissem tudo que eu havia planejado durante toda aquela noite.
 
Por volta das 9 eu acordei e levantei para fazer um café. Você dormia com a minha camiseta preta dos Beatles. Parei na porta com uma caneca na mão e te observei enquanto se espreguiçava. Sorriu pra mim, deitei de novo. Conchinha, cochilo a tarde. A calmaria depois da tempestade, o domingo gostoso depois de uma tórrida madrugada. É assim que tem que ser.
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