Ódio criativo

16 mar

Para ler ouvindo:

Me dizem que sou jovem. Muito jovem. Jovem para escolher, esmoecer, desistir. Dizem que eu sou jovem demais para odiar. Eu poderia muito bem entrar nesse modo ‘bukowskiano’ de vida onde apenas viveria, me enchendo sempre de pessoas e de cerveja, ou na maioria das vezes só cerveja. Ponderei. Achei melhor não.

Eu gosto de odiar, alivia minhas inquietações. Traz outras centenas, mas quem liga? Hoje escrevo mais solta, talvez eu deva isso a todas elas. O ódio me faz relacionar músicas a você. Me faz reler as cartas e as dedicatórias das fotos. Abrir e-mails antigos e desinterrar os presentes do fundo daquela caixa de sapatos, que guardei embaixo da minha cama, e pensar em um fim dramático e doloroso para cada um deles. E para o dono deles também – não se engane.

Meu ódio é amor subvertido. É criativo, destrutivo, corajoso, mas fugaz. Permanente e passageiro, consegue compreender? Não? Nem eu. Te odiar significa desejar que você caia do 10.º andar do seu prédio. E torcer para que eu esteja lá, milagrosamente, de braços abertos para te amparar. Meu ódio beira o ridículo, mas afinal, qual amor não é?

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Uma resposta to “Ódio criativo”

  1. Murilo Rettozi abril 1, 2014 às 9:41 am #

    “Ah, but i was so much older then, i’m younger than that now.” Jóia! =D

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